Editorial 2

             

Como vencer a pobreza e a desigualdade?

            Defrontamo-nos, atualmente, com inúmeras e persistentes questões acerca de temas que afligem a sociedade de modo geral. Indagamo-nos sobre como solucionar os graves problemas sociais que envolvem intolerância, fome, miséria e desigualdade social. São questões complexas, porém suas respostas são simples - numa equação tão contraditória quanto a própria humanidade. Quem dera que a implementação das soluções para essas questões fosse tão fácil quanto saber as suas respostas. A grande dificuldade reside em executá-las, não em conhecê-las. Afinal, todos as sabemos de coração.
 
            Uma resposta geral e abrangente seria que a principal solução está na educação. Não me refiro apenas ao ensino, mas também à conscientização que pode ser promovida mediante grandes e constantes debates acerca das questões sociais. A educação básica de qualidade permite, além do desenvolvimento individual e da auto-estima, maiores oportunidades no acesso a condições mínimas de dignidade e cidadania. Além disso, o ensino também propicia capacitar os indivíduos tanto a proporem, quanto a cobrarem - de maneira adequada e conseqüente – políticas sociais e econômicas dos Estados.
 
O conhecimento possibilita o entendimento de que o planeta é um único organismo, e sendo assim, ninguém está imune aos flagelos que assolam qualquer parcela da sociedade, já que suas conseqüências desconhecem fronteiras territoriais, econômicas ou sociais. Além do que, todos nós pagamos um pesado tributo, tanto social quanto econômico, em razão dos desdobramentos de todas as mazelas sociais do planeta. Em última instância, permite pensar nos problemas e nas suas soluções de forma coletiva e global, reconhecendo que a miséria de milhões de pessoas no mundo todo é moralmente inaceitável.
 
            Apesar de considerar que a solução primária é a educação - posto que sem ela não há nenhum caminho possível - outras soluções, não menos urgentes e importantes, precisam ser buscadas em diferentes esferas: aliar desenvolvimento econômico sustentável com uma melhor distribuição de renda e de oportunidades; combater o desperdício, a corrupção e a indiferença; implementar programas para promover a saúde e o saneamento públicos. Todas essas medidas, porém, implicam em resultados a médio ou longo prazo. Outras estratégias mais imediatas também são necessárias, entre elas a manutenção de programas assistenciais de combate à fome, à miséria, às doenças e à mortalidade infantil.
 
Evidentemente esse panorama não é igual em todos os países. Temos no mundo nações realmente pobres, que necessitam de ajuda externa. Mas também existem países que, apesar de não serem pobres, possuem uma grave desigualdade social, relegando a maioria da sua população a uma situação de pobreza e abandono.
 
Existe uma conclusão dolorosa, porém inadiável. Todos nós conhecemos as soluções. A humanidade possui os recursos e os meios para colocá-las em prática. Logo, para vencer a pobreza e a desigualdade falta uma coisa: vontade. É fundamental reconhecermos que somos todos responsáveis, direta ou indiretamente, tanto pelos problemas sociais quanto pelas suas soluções. É urgente que todos os cidadãos do mundo globalizado cumpram o seu papel social e cobrem dos Estados ações efetivas no sentido de se estabelecerem políticas e estratégias globais de combate à pobreza e à desigualdade social. 
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Leysa Vidal - cidadã brasileira.

 


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