Ações responsáveis/Especial meio ambiente 08.06.2008

Maíra Portela
Cada gota de chuva que cai sobre o Salvador Shopping é reaproveitada. A água escorre pelo sistema de captação, é filtrada e utilizada na descarga do sanitário. A medida está entre as inúmeras ações adotadas pelo estabelecimento, que foi projetado para ser sustentável. A Federação do Comércio da Bahia não sabe precisar os números, mas o novo shopping da capital baiana é uma das poucas iniciativas no setor preocupadas com a preservação ambiental. Além dele, há ações pontuais em lojas de departamento, delicatessens, supermercados, bares e restaurantes, e até um pequeno comerciante no Mercado Modelo.


O exemplo mais moderno de sustentabilidade ainda é o Salvador Shopping. O sistema de esgoto a vácuo reduz em 90% a necessidade do uso da água. Cada vez que o cliente dá descarga gasta-se 1,2 l de água para 60 de ar. Já a energia conta com a subestação de 69KV, que evita a queda de energia, tem um custo 30% mais barato que as fontes convencionais e dispensa o uso de geradores a diesel. Sem falar da característica arquitetônica, com uso da clarabóias – abertura no alto das edificações para a entrada de luz.


O gerente de operações do shopping, Júlio Carneiro, salienta também o recuperador de energia do ar-condicionado, que gera uma economia de 50% se comparado aos convencionais. “O diferencial está no processo de troca de umidade e calor. O ar usado seco e frio é utilizado para resfriar o ar novo quente e úmido”, explica. A coleta de lixo para reciclagem não foi esquecida. Em sete meses foram produzidas 700 toneladas de detritos, sendo 30% destinados a cooperativas, já o restante era resíduo úmido.


O presidente da Federação do Comércio da Bahia (Fecomércio), Carlos Fernando Amaral, afirma ter uma simpatia com a preservação ambiental, mas admite não ter conhecimento dos locais que tenham feito a adoção sistemática, que seria o ideal. “Sei que existem estabelecimentos comerciais que utilizam o conceito da sustentabilidade, mas não temos uma lista com a relação deles”, informa.


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Shopping Paralela terá bosque no interior


Outra grande construção do setor projetada para ser sustentável é o Shopping Paralela. Construído em área desmatada com potencial ambiental, será um refúgio da poluição e do ritmo frenético da capital. Camuflado por 4.600 mudas de árvores nativas da mata atlântica, o estabelecimento promete inovar o conceito de shopping center. “Vamos criar um bosque no interior da edificação com as espécies da mata atlântica, todas identificadas, para facilitar a informação à população”, informa Walter Barretto Júnior, diretor da construtora W.Barretto.


Até mesmo durante as refeições será possível desfrutar da sensação de tranqüilidade da floresta. A praça de alimentação contará com um painel de vidro com vista para a vegetação. O Shopping Paralela ainda utilizará o sistema de captação da água da chuva para o uso interno e um equipamento para reduzir o consumo com energia. “Esse caminho tomado pelo Shopping Paralela é uma tendência, principalmente quando a construção é em área ambiental”, avalia Barretto.


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Perini substitui embalagens


A delicatessen Perini começou recentemente a substituir as embalagens de PVC e o papel filme – que levam 150 anos para se decompor –, utilizados para armazenar os frios, pelo papel de seda. “Alguns clientes sentem falta e pedem os recipientes antigos, mas informamos da preservação promovida pelo papel de seda e a maioria adere à causa”, explica Roberto Adami, diretor comercial. O próximo passo é substituir as sacolas plásticas pelo material biodegradável.


Bompreço - Nas redes de supermercado a reciclagem ainda é a forma mais utilizada para redução dos impactos ao meio ambiente. A rede Bompreço / Wal Mart possui inúmeras iniciativas como a coleta seletiva, Estação de Reciclagem e a linha de camisetas e cobertores feitos de garrafa PET, e ainda as cuecas de bambu. Recentemente, houve a preocupação com a redução dos gastos com energia e a utilização das lâmpadas T5 e de telhas transparentes. A diminuição da altura de algumas lojas ajudam na redução do consumo da climatização. Já nos estacionamentos há o plantio de mudas e gramas com concreto para aumentar a permeabilidade do solo.


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Restaurantes transformam óleo em sabão


Os milhares de litros de óleo utilizados para realizar as frituras dos tira-gostos e pratos especiais dos bares e restaurantes agora têm um destino diferente. Em vez de serem descartados como resíduo comum no meio ambiente, tornaram-se a matéria-prima para a confecção de sabão e outros produtos de limpeza. Para incentivar os estabelecimentos, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) criou o projeto Papa Óleo, implantado na Bahia em setembro de 2007, em parceria com o Ministério do Turismo e o Sebrae.


Na capital baiana estima-se um total de cinco mil bares e restaurantes, mas apenas os associados a Abrasel participam do programa. Dos 140 filiados à entidade, somente 95 estão inscritos no Papa Óleo, sendo 55 em Salvador. O presidente da instituição, Luís Henrique Amaral, explica que é difícil mensurar quantos estabelecimentos aderiram à iniciativa. “Cada litro de óleo custa R$0,30, que é destinado a um fundo de responsabilidade social. A quantia total é revertida em ações solidárias”, explica. O coordenador nacional do projeto, Lucas Fontes, afirma que desde novembro de 2007 até maio deste ano foram coletados 21.360 l de óleo.


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Por que fazer a coleta?


A maioria das comidas usa o óleo para a fritura e muitos restaurantes e bares não sabem o que fazer com esse resíduo. O óleo é poluente. Além de provocar o entupimento dos canos, ele cria uma camada de gordura na superfície da água do mar e dos rios e impede a troca de oxigênio dos peixes. Quando jogado na terra, esta resseca e prejudica a troca com o meio ambiente.


Restaurantes que mais coletam
(cerca de 150 l/mês)


Cidadão consciente


A experiência com o comércio tornou o vendedor Abdala Bibineto, 56 anos, bastante observador às tendências do mercado. Há mais de quatro décadas com um boxe no Mercado Modelo, percebeu que nos últimos tempos os turistas evitavam guardar suas lembranças da Bahia nas sacolas plásticas. “Eles amontoavam nas bolsas e quando não tinha jeito faziam de tudo para utilizar apenas um saco”, relembra o comerciante.


A administradora do Mercado, Marilene Santiago, reuniu os 200 permissionários e os apresentou a um empresário do ramo de sacolas biodegradáveis. “Tentei conscientizar, mas é muito difícil, eles não entendem”, lamenta . Mas Abdala entendeu. Era o que precisava para conquistar novamente o apreço dos clientes estrangeiros. Investiu R$2 mil em 20 mil sacos biodegradáveis com o timbre da loja. “É um pouco mais caro, cerca de 40% comparado com os normais, mas vale a pena pela preservação. Sei que a sacola vai se dissolver em 18 meses, enquanto as outras levam centenas de anos”, informa. Os turistas aprovaram.


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Esse caminho tomado pelo Shopping Paralela é uma tendência, principalmente quando a construção é em área ambiental”


(Walter Barretto Júnior, diretor da construtora W.Barretto)

http://www.correiodabahia.com.br/aquisalvador/noticia.asp?codigo=155103

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