Alimentos - Bird e ONU pregam reforma no campo 05.05.2008


Em meio a uma das maiores crises mundiais de alimentos dos últimos 30 anos, relatório encomendado pelo Banco Mundial (Bird) e pela ONU e divulgado nesta quarta-feira afirma que o Brasil e também a América Latina precisam promover uma reforma profunda em sua estrutura agrária para extinguir a pobreza e a fome e simultaneamente garantir a preservação ambiental. No caso específico do Brasil, o texto diz que o país não foi capaz de solucionar sua crise social nos últimos 50 anos. O documento aposta ainda que a região pode de fato atuar como uma espécie de celeiro do mundo no futuro, produzindo alimento para o planeta.

Os 400 cientistas e especialistas de todo o mundo concluíram que os países latino-americanos usam apenas 25% de sua capacidade agrícola, segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O dado chama ainda mais a atenção diante de outro número: juntas, essas nações têm o maior estoque de terras aráveis do mundo, com 576 milhões de hectares – 30% de toda terra arável do planeta.

Porém, essas terras estão concentradas nas mãos de poucos proprietárias e não são usadas de forma eficiente, segundo os especialistas. Assim, a despeito de todas as vantagens oferecidas pela região, 54 milhões de pessoas ainda passam fome e outros 209 milhões são pobres. Mais de 30% da população miserável no campo não têm terra para cultivar.

Meio ambiente – Um dos principais alertas do relatório refere-se ao meio ambiente. Segundo os especialistas, a América Latina tem cinco dos dez países com maior biodiversidade e reúne 40% das reservas genéticas do planeta. Mas o documento adverte que a expansão da agricultura, principalmente no Brasil, tem impacto negativo no meio ambiente.

Exemplo disso seria o avanço da agricultura na Amazônia, considerado preocupante. O fornecimento de água no país também estaria afetado pelas práticas degradantes no campo, além dos impactos negativos no Cerrado e no Pantanal.

O levantamento alerta que 8% das terras do Cone Sul (47 milhões de hectares) já são destinadas ao cultivo da soja e pede maior diversidade no campo para evitar futuros problemas ambientais. De acordo com os dados apresentados, entre 1970 e 2000, seis hectares de floresta foram desmatados ao dia na América Latina – 60% dessas terras foram destinadas à agricultura e 40%, abandonadas ou usadas para a especulação.

Etanol – Os especialistas também alertaram para a expansão do etanol e pedem que os governos façam análises cuidadosas em relação ao impacto do combustível. Segundo o estudo, o biocombustível de fato cria oportunidades para o setor rural e para os pequenos agricultores. Porém, os principais impactos negativos estariam no meio ambiente e nos aspectos sociais.

Na avaliação dos especialistas, a solução para a América Latina tirar proveito da agricultura para resolver os problemas sociais passa por um melhor uso da terra, maior acesso dos pobres à produção e a diversificação dos cultivos. Segundo eles, a região precisa introduzir um modelo que permita que a agricultura tradicional, a convencional e a agroecologia possam conviver

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