Angola: nos trilhos do desenvolvimento sustentável 09.07.2008

Como conciliar desenvolvimento económico com preservação ambiental? Enquanto as grandes potências discutem esse tema nos principais foros internacionais sem chegar a um consenso, Angola adiantou-se na busca de soluções práticas para essa questão, liderando um projecto pioneiro e de cujo sucesso depende o bem-estar de 600 mil pessoas, espalhadas por três países.
Trata-se do plano da gestão integrada da Bacia do Kubango, rio que nasce na província do Kuando-Kubango, percorre a Faixa de Caprivi, na Namíbia, e por fim desagua num delta no Botswana, na maior área pantanosa da África Austral.
Antecipando-se a um possível conflito de interesses com os outros dois países, e assumindo o seu peso na região, Angola decidiu liderar um projecto que garante aos três vizinhos tirar o máximo proveito da bacia sem, com isso, comprometer o equilíbrio ecológico que ela sustenta.
Há 14 anos, quando se iniciou a discussão sobre a importância de que as três nações fizessem um plano conjunto para gerir a bacia, Angola teve de tranquilizar os vizinhos quanto às suas intenções. "Tivemos de convencê-los de que o nosso projecto de desenvolvimento económico não afectaria o fluxo das águas e de que a conservação ambiental da região também nos interessava", conta Daniel Vapor, vice-governador do Kuando-Kubango.
Não foi fácil. "Quando, naquela época, o nível do rio baixava na Namíbia ou no Botswana, eles logo diziam que tínhamos construído represas do nosso lado", diz o governador da província, João Baptista Chindandi.
O receio dos dois países era compreensível. Afinal, a Namíbia depende das águas da bacia para o seu abastecimento e para irrigar terras áridas no Norte do país. O Botswana, por sua vez, tem no turismo na região do Delta do Kubango a segunda maior actividade económica nacional, atrás apenas da extracção de diamantes. Qualquer alteração ambiental na bacia significaria menos receitas para o país.
"Mas Angola sempre esteve consciente dos impactos que acções no seu lado da bacia causariam a seus vizinhos. E, ao longo dos últimos anos, foi conquistando a confiança dos dois países", conta o governador Chindandi.
Para tanto, o país teve de se munir de informações que garantiram aos vizinhos que a bacia se encontrava praticamente intacta na parte angolana. "Quando, em 1998, foi feito o primeiro levantamento sobre a biodiversidade, a demografia e as possibilidades económicas nas regiões da bacia, quase não havia dados sobre Angola", lembra-se Manuel Quintino, coordenador, pelo lado angolano, do projecto de gestão integrada do Kubango.
"Hoje, porém, Angola tornou-se o principal actor do projecto", conta o engenheiro, funcionário da FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. De facto, Angola reabilitou nos dois últimos anos cinco estações hidrométricas, que são responsáveis pela monitorização da qualidade e do nível da água da bacia, que se haviam deteriorado durante a guerra.
Outras sete estações devem ser recuperadas nos próximos anos. "É com as informações provenientes das estações que deixámos os nossos vizinhos mais tranquilos", diz o governador Chindandi.

Três países, uma comissão

Para encontrar um equilíbrio entre os interesses dos três países na gestão do Kubango, foi fundada em 1994 a OKACOM (Comissão da Água da Bacia do Rio Kubango), com representantes de Angola, Namíbia e Botswana.
Àquela altura, os conflitos armados no lado angolano inviabilizavam a implantação de projectos de irrigação no Kubango. Finda a guerra, porém, o desenvolvimento da agricultura tornou-se prioritário em Angola, deixando a Namíbia e o Botswana em alerta.
Para planear o desenvolvimento económico do lado angolano da bacia, região bastante afectada pelos conflitos, o Governo montou um grupo formado por quadros de diferentes sectores da sociedade.

http://www.jornaldeangola.com/artigo.php?ID=86564&Seccao=economia


© 2007 RJHost.com.br
MELHOR VISUALIZADO EM PELO MENOS 1024 x 768 PIXELS

Acessibilidade

Teclado: Menu Principal » alt+m | Conteúdo » alt+c Controles de Acessibilidade: Preto e Branco | A (Normal) | -A (Dininuir) | +A (Aumentar)