Brasil e Indonésia são campeões em desmatamento, mostra Banco Mundial 05.05.2008

Brasília - O relatório Global Monitoring Report, preparado pelo Banco Mundial (Bird), constata que a maior parte do desmatamento mundial está acontecendo no Brasil e na Indonésia.

De acordo com o documento, divulgado terça-feira (8), entre 2000 e 2005, o Brasil teria desmatado um total de 31 mil quilômetros quadrados de sua área florestal, seguido pela Indonésia, que desmatou 18,7 mil quilômetros quadrados, e em terceiro lugar vem o Sudão, que derrubou 5,9 mil quilômetros.

O desmatamento nos dois países com as maiores regiões de floresta no mundo vem ocorrendo, predominantemente, devido à transformação de suas áreas florestais em terras agrícolas. Segundo o documento, o desmatamento no Brasil tem sido movido pela demanda por carne, soja e madeira.

Na Indonésia, ele tem sido estimulado pela demanda por madeira e por terras para o cultivo de palmeiras, para produção de óleo.

Segundo o Bird, nos dois países o desmatamento tem sido causado "tanto por grandes interesses corporativos como pelo de pequenos proprietários".

Mudança de destinação

No Brasil, o relatório afirma que o índice de hectares desmatados foi de 2,7 milhões, entre 1990 e 2000, mas que ele passou para 3,1 milhões de hectares entre 2000 e 2005. Na Indonésia, ao contrário, os índices permaneceram inalterados no mesmo período.

O estudo do Bird afirma que áreas florestais do tamanho de países como Serra Leoa ou Panamá são perdidas anualmente devido a sua transformação em terras agrícolas. As regiões mais afetadas têm sido a América Latina e Caribe e a África Subsaariana.

Pesquisa brasileira confirma alto índice de desmatamento

Em fevereiro deste ano, o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, de acordo com dados do Sistema de Detecção em Tempo Real (Deter), apesar do período de chuvas na região, que dificulta a ação dos madeireiros. A área desmatada no período, calculada em 725 quilômetros quadrados, é 13,45% maior do que a registrada em janeiro desse ano, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contabilizou 639,1 quilômetros quadrados de novas áreas devastadas.

Os dados revelam avanço do desmatamento mesmo após as medidas anunciadas pelo governo federal para combater a devastação da Amazônia, entre elas o fortalecimento das operações da Polícia Federal e a restrição de crédito para propriedades irregulares.

Ao comentar os números, na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a avaliação dos resultados das ações de combate ao desmatamento não pode ser imediata. Marina Silva comentou: "O que nós queremos é que todas elas [medidas] venham a acontecer e, se possível, tenhamos também, em 2008, uma redução no desmatamento".

De acordo com os dados do Deter, Mato Grosso concentra 88% do desmatamento total registrado no período. Em fevereiro, a área devastada no estado foi de 639 quilômetros quadrados e cresceu 68% em relação ao mês anterior. Em Rondônia, o desmatamento cresceu 8,7% no mesmo período. Já o Pará registrou queda de 12,6% em relação a janeiro. Os três estados concentram os 36 municípios que mais desmataram a floresta Amazônica em 2007.

O Deter é um sistema de monitoramento da Amazônia por satélites que fornece dados sobre a cobertura vegetal da região. A consolidação dos dados é feita por outra metodologia, o Projeto de Estimativa de Desflorestamento da Amazônia (Prodes), que define as taxas de desmatamento.

A área desmatada da Floresta Amazônica corresponde a 21% do que já foi transformado em pastagens, plantações e cidades no país. De acordo com esse documento - o Mapa da cobertura vegetal dos biomas brasileiros - já se derrubaram no Brasil 2,5 milhões de quilômetros quadrados (km2) de vegetação nativa desde o início da colonização pelos europeus. É o equivalente a 30% do território nacional ou 4,5 vezes o da França, um dos maiores países da Europa.

Elaborado a partir de imagens de satélite de 2002, o documento representa a versão mais atual e abrangente do estado da vegetação que cobre o país. Pode ser útil por diversos motivos. Em primeiro lugar, porque permite conhecer o quanto cada um dos seis principais ecossistemas – Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Pampas e Caatinga – ainda preserva de vegetação suficiente para manter condições de chuva, qualidade do solo e clima adequados para abrigar vida humana ou animal.

O ecossistema que permanece mais íntegro é também o que ocupa a menor área do país: o Pantanal, protegido pelas águas que periodicamente cobrem campos e florestas durante vários meses do ano. Alimentado pelas fartas chuvas que caem em sua cabeceira, na transição entre o Cerrado e a Amazônia, o rio Paraguai manteve cidades e cerca de 3 mil fazendas de gado restritas às bordas sul e leste do Pantanal. Desde o início da colonização no século XVIII, ali foram consumidos 17 mil km2, menos de 1% da área desmatada no Brasil.

http://www.portugaldigital.com.br/sis/noticia.kmf?noticia=7133180&canal=159&total=23924&indice=0


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