Brasil é o campeão mundial de desmatamento 05.05.2008
SÃO PAULO - Um novo relatório divulgado ontem pelo Banco Mundial (Bird) mostra que, entre 2000 e 2005, o Brasil foi o país que mais desmatou no mundo. Seriam 31 mil quilômetros quadrados de floresta derrubada anualmente, segundo o órgão. Em segundo lugar aparece a Indonésia: 18,7 mil quilômetros quadrados por ano. Em terceiro, está o Sudão, com 5,9 quilômetros quadrados. A Amazônia é o local mais desmatado no Brasil. Os dados oficiais do governo brasileiro, computados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam taxa de derrubada média anual na região de cerca de 22 mil quilômetros quadrados – ainda que dois dos três maiores índices já registrados sejam de 2004 (27.379 quilômetros quadrados) e 2003 (25.282 quilômetros quadrados). O Inpe não monitora outros biomas, como o Cerrado e a mata atlântica.
As informações do Bird fazem parte do Relatório de Monitoramento Global 2008, que avalia o status de cumprimento das Metas do Milênio. De acordo com ele, a perda de área florestal no planeta foi de 73 mil quilômetros quadrados por ano entre 2000 e 2005. A África Subsaariana é a região que mais derrubou – cerca de 47 mil quilômetros quadrados; América Latina e Caribe aparecem com 41 mil quilômetros quadrados. O leste asiático e a região do Pacífico surgem com um incremento florestal, devido especialmente a projetos de reflorestamento mantidos na China. Esse movimento mascara os altos índices de desmatamento registrados na Indonésia.
Além disso, nos últimos anos, a Indonésia cresceu sua taxa de desmatamento de florestas tropicais para alimentar o mercado mundial, especialmente o europeu, de biocombustíveis. Grandes regiões do país foram derrubadas e queimadas para dar espaço a plantações de dendê, afirmam organizações não-governamentais e observadores independentes. Como o país não mantém um programa de acompanhamento de desmatamento, como o Brasil, a extensão dos danos é estimada.
O relatório indica que a redução dos índices mundiais de pobreza não será sustentável se florestas forem perdidas, estoques de peixes reduzidos e o solo, degradado. “A extinção de recursos naturais e a degradação ambiental comprometem a perspectiva de crescimento em longo prazo de muitas nações em desenvolvimento”, escrevem os autores. O Bird pede uma ação global coordenada para controlar as mudanças climáticas e lembra que eventos extremos, como secas e enchentes, afetam principalmente os mais pobres. (AP)
http://www.correiodabahia.com.br/exterior/noticia.asp?codigo=151256
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