Cana/Araçatuba: Grandes grupos ampliam sua atuação em usinas da região 06.03.2008

A aquisição da usina Benálcool, de Bento de Abreu, pelo Grupo Cosan, anunciada na última semana, confirma a tendência de grandes grupos assumirem a administração de usinas e destilarias de álcool e açúcar na região de Araçatuba. Isso deve resultar na concentração das unidades sucroalcooleiras nas mãos de poucos grupos, em detrimento das pequenas usinas e destilarias.

Com a recente aquisição, a Cosan passa a responder pelo controle de cinco unidades da região. Além da Benálcool, pertencem ao grupo a Destivale, em Araçatuba; a Univalem, em Valparaíso; a Gasa, em Andradina; e a Mundial, em Mirandópolis. Isso representa mais de 20% das usinas instaladas na região, pois com a confirmação de que outras seis indústrias do tipo iniciarão a moagem este ano, passarão a ser 23 as unidades em atividade.

O segundo grupo em número de usinas na região é a Aralco, com quatro unidades: a própria usina Aralco, de Santo Antonio do Aracanguá; a Alcoazul, de Araçatuba; a Generalco, de General Salgado; e a Figueira, de Buritama, que iniciará a moagem este ano.

Com a entrada em funcionamento também este ano da usina Vale do Paraná, em Suzanápolis, a Unialco passará a ter duas usinas na região, pois essa se somará à usina Unialco, de Guararapes.

Outro grupo que está ampliando sua atuação na região é a Equipav, que além da unidade em Promissão, uma das maiores em capacidade de moagem atualmente, colocará em funcionamento ainda este ano a Biopav, em Brejo Alegre, que tem inauguração prevista para o mês de junho.

Existem ainda, fortes rumores de que a Equipav estaria negociando com o grupo J. Pessoa a aquisição da usina Everest, em Penápolis. A notícia de que a unidade está à venda já foi confirmada pelos proprietários da unidade, inclusive a Cosan teria demonstrado interesse nela durante as negociações para a compra da Benálcool. Entretanto, nem J. Pessoa, nem Cosan confirmam a negociação. Caso a compra seja mesmo acertada, a Equipav passará a ter três usinas na região.

As demais usinas da região em funcionamento ou que iniciarão as atividades este ano são Viralcool, em Castilho; Santa Adélia, em Pereira Barreto; Biosauro, em Guararapes; Campestre, em Penápolis; Da Mata, em Valparaíso; Diana, em Avanhandava; Ipê, em Nova Independência; Lins, em Lins; e Pioneiros, em Sud Mennucci.

RISCOS -Para o economista Claudilei Rodrigues Rocha, de fato, o mercado sucroalcooleiro ficará cada vez mais acirrado e a tendência é a oligopolização, ou seja, pequenos grupos sendo responsáveis por grande parte das empresas. Isso ocorrerá, de acordo com ele, porque com a mudança da matriz energética, o setor sucroalcooleiro tende a se tornar cada vez mais lucrativo. "Tanto é que empresas que não tem nada a ver com o setor, inclusive do exterior, estão investindo alto em usinas", diz.

Entretanto, explica que é preciso avaliar os impactos desse processo em duas fases. A curto prazo, Rocha acredita que a aquisição de pequenas usinas por grandes grupos pode gerar mais investimentos e aumentar as vagas de emprego, favorecendo e muito as cidades da região.

Porém, ele teme que a médio e longo prazo ocorra o efeito contrário, ou seja, as empresas maiores passem a ser cada vez mais exigidas no que diz respeito à produção, fazendo com que as menores desapareçam, pois demandarão investimentos e deixarão de ser lucrativas. "Pode acontecer o que chamamos de eliminação das empresas marginais, que não terão como concorrer no mercado", explica.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Químicas e da Fabricação de Álcool de Araçatuba e Região, José Roberto da Cunha, também acredita que é preciso as pequenas empresas se fortaleçam para evitar que num futuro próximo corram o risco de desaparecer. "Se a maioria das usinas ficar nas mãos de poucos grupos ficará ruim em todos os sentidos", diz.

Entretanto, ele considera positiva a aquisição da Benálcool pelo Grupo Cosan, principalmente no que diz respeito aos trabalhadores. Cunha revela que há cerca de dois anos os empregados enfrentavam problemas com pagamento, inclusive muitos estavam com depósitos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e do INSS atrasados.

"O pagamento do mês foi feito com atraso na última quarta-feira, já efetuado pela Cosan", informa. De acordo com ele, os empregados das outras três usinas do grupo na região que são ligados ao sindicato nunca tiveram problema com recebimento de salários e encargos.

Segundo o sindicato, atualmente cerca de 320 funcionários permanecem trabalhando na área industrial da Benálcool, número que ultrapassa os 400 durante a safra. Na lavoura, a empresa deve gerar outros quase dois mil empregos, principalmente moradores de Bento de Abreu e Valparaíso.

Fonte: Google News

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