Descoberta nova fraude na venda de madeira na Amazônia 09.07.2008
RIO - O Ibama descobriu novo tipo de fraude na venda de madeira na Amazônia. Empresas usam documentos de créditos florestais dados pelo governo para tornar legal a madeira retirada de áreas proibidas.
Em Labrea, sul do Amazonas, a região é de manejo florestal. Na cidade é permitido retirar madeira, desde que respeitados os critérios ambientais. Os documentos de origem florestal, os Dofs, revelam que no local já teriam sido derrubados cerca de sete mil metros cúbicos de madeira, equivalente a 400 carretas, mas as árvores ainda estão de pé.
No município vizinho, de Humaitá, cerca de mil árvores teriam sido cortadas até 4 de junho. No dia seguinte, a madeira já estava na cidade de Rondon, no Pará. A viagem, que dura duas semanas, teria sido feita em apenas 24 horas.
As contradições chamaram a atenção das autoridades para uma nova fraude: planos de manejo no Amazonas estão sendo usados para regularizar madeira clandestina. O Ibama descobriu que madeireiros usam documentos verdadeiros, créditos florestais dados pelo governo, para aplicar o golpe. O sistema acompanha toda a movimentação das toras, da origem ao destino, mas elas são apenas virtuais, só os documentos viajam, a madeira não sai do lugar. Assim, qualquer empresa consegue deixar dentro da lei árvores que saíram de áreas de desmatamento.
- No caso do sul de Labrea, até agora o que nós detectamos que esses créditos foram transferidos para empresas no Amazonas. Em outros casos, a movimentação de madeira foi para outros estados, como Mato Grosso e Rondônia - afirmou o Superintendente do Ibama no Amazonas, Henrique Pereira.
Neste sábado, foi feita vistoria no pátio de uma empresa que, supostamente, recebia a madeira em Manaus. No lugar de uma serraria, os fiscais encontraram um galpão ainda em construção. Não se sabe ainda quantos projetos estão envolvidos no golpe. Só no ano passado, o estado licenciou 365 novas áreas de manejo, mas o governo admite: é impossível fiscalizar todas elas, com apenas sete agentes ambientais.
A fraude em Labrea e Humaitá já foi comprovada. O Ibama cancelou a licença a licença de manejo e multou os donos das áres em R$ 7 milhões.
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/06/21/descoberta_nova_fraude_na_venda_de_madeira_na_amazonia-546913923.asp
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