
A questão da responsabilidade ambiental empresarial face a uma nova dinâmica mundial em que o meio ambiente adquire grande importância, sua preservação tornou-se condição vital para humanidade e estratégia para os negócios.
Antenadas com as modificações da estrutura de relação com meio-ambiente, micro e pequenas empresas da Paraíba tem avançado neste sentido. Segundo Antônio Felinto, gestor do projeto de Produção Sustentável do Sebrae, só este ano mais de 43 empresas distribuídas pelas cidades de João Pessoa, Campina Grande, São Mamede, Santa Rita e Rio Tinto, além de cidades dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte, buscaram orientação para melhorar o relacionamento com a natureza.
Visto que o lucro não é mais objetivo único e foco primordial, empresas se inserem nesta nova dinâmica dispostas a deslanchar a concorrência acirrada oferecendo produtos e serviços menos agressivos ambientalmente a consumidores cada vez mais preocupados com o planeta terra do futuro.
A busca pela imagem responsável está associada a uma série de preocupações com padrões éticos e comportamentais como, por exemplo, a redução de lançamento de resíduos ou a utilização de fontes alternativas de energia que atua positivamente na diminuição de gastos das empresas.
Os empreendedores vêm conseguindo enxergar na contenção de gastos associado à consciência ambiental uma relação em que os favorecidos são os dois lados da moeda. Economizando energia e reaproveitando o máximo de matérias que seriam descartadas no meio-ambiente, o empreendimento diminui desperdícios contribuindo com a natureza. Esta por sua vez oferece os recursos, como o exemplo da madeira na queima dos fornos de padaria, para que a empresa continue funcionando, formando um verdadeiro ciclo de favorecimento.
Experiência da terra
Na Paraíba um projeto direcionado as empresas também prima pela redução dos impactos ambientais em associação a lucratividade desses empreendimentos. O projeto Cepis (Centro de Produção Sustentável) é uma iniciativa do Sebrae e da secretaria para Assuntos Econômicos do governo da Suíça que prevê investimentos para assistir pequenas e médias empresas que usam a lenha como principal fonte energética no seu processo de produção.
O projeto atualmente atende indústrias de cerâmica vermelha no Seridó da Paraíba e por extensão do Rio Grande do Norte, indústrias do pólo do gesso em Araripina, em Pernambuco, Usinas de beneficiamento de leite do Cariri paraibano, além de panificadoras e, mesmo não utilizando a madeira como fonte de energia, hotéis e pousadas de João Pessoa receberam durante 2007 orientações e consultorias.
Sendo essas empresas as que mais contribuem para a degradação ambiental, o projeto propõe a redução da quantidade de madeira utilizada, apresentando soluções alternativas e incentivando o reflorestamento. Respeitando a filosofia da 'produção mais limpa', ou seja, ecologicamente eficiente e sustentável, o Cepis alia a redução do impacto ambiental ao aumento de lucratividade das empresas, inclusive certificando-as para atingir novos mercados.
A importância do projeto já chamou atenção de cientistas e pesquisadores de todo o mundo. Durante o 1º International Workshop Advances in Cleaner Production, evento internacional que ocorreu em São Paulo durante os dias 21 e 23 de novembro, o artigo escrito por professores universitários e consultoras do projeto e do Sebrae Paraíba, recebeu menção honrosa ao tratar da experiência do Cepis ao longo dos seus dois anos de atuação demonstrando toda a capacidade positiva de ação do projeto nas empresas onde foram prestadas consultorias.
Amigo da natureza
Localizado no centro da capital de João Pessoa, em uma das áreas mais movimentadas da cidade, o J.R. Hotel atende, em sua maioria, hóspedes que vem até a cidade a negócios. A empresa, até o mês de novembro, foi atendida pelo projeto conseguindo encontrar soluções ambientais para reduzir os impactos na natureza e contenção de gastos.
"A empresa sempre apresentou simpatia pelas causas ambientais. A consultoria fez um diagnóstico e identificou algumas oportunidades na redução de energia e água. O trabalho do Cepis foi facilitado justamente pelo hotel já aderir a algumas ações e conseguimos melhorar a visão dos funcionários e da gerência", explica Luhana Porto, consultora técnica do Cepis e uma das elaboradoras do projeto para o hotel.
Segundo João Luís, gerente do hotel, a adesão ao movimento dos ecologicamente corretos foi bem aceita por todos os funcionários da empresa e para ele a responsabilidade ambiental volta os olhos dos clientes e do público funcionando como uma boa estratégia de marketing. "O hotel orgulha-se de contribuir para a menor degradação ambiental e exibe no site um espaço destinado a explicar todas as atuações efetivadas", assinala.
A empresa desenvolve ações que atingem as áreas administrativas da empresa como a reciclagem de cartuchos para impressoras diminuindo o lançamento de plásticos na natureza, a utilização de papéis reciclados para a impressão de formulários e documentos e a utilização de aparelhos de ecobrisa licenciados pelo Greenpeace que atesta que o produto e o processo de produção passaram por uma avaliação detalhada, utilizando termos de referência para atender os critérios de produção limpa, de responsabilidade social e ambiental.
Com uma ação semelhante a da grande rede de supermercados, hoje o hotel já consegue a eliminação de 100% do lixo orgânico produzido diminuindo o uso de sacos plásticos e materiais de limpeza, além da minimização da lavagem de toalhas reduzindo gastos com água, a reutilização do óleo de frituras para a fabricação de sabão e o uso da energia solar para os aquecedores de água.
Gigante da preservação Considerada a maior empresa do planeta, a estadunidense Wal-Mart, dona das redes Bompreço aqui na Paraíba, está na ponta de uma revolução que vem transformando esses padrões entre causas ambientais e gestão de negócios. Desde que o empresário da rede abraçou publicamente a causa verde, o empreendimento vem colocando em prática uma das iniciativas mais abranjentes e ousadas do mundo dos negócios ecologicamente corretos.
Ancorada em três metas ambiciosas, a rede pretende reduzir a zero a geração de lixo, ter 100% de suprimento de energia vindo de fontes renováveis e vender produtos que não ameacem os recursos naturais e o meio ambiente exigindo de seus fornecedores responsabilidade e controle. A empresa já criou dois supermercados especialmente para testar tecnologias ambientalmente amigáveis e para alcançar suas metas conta com a participação de especialistas, ONGS e a sensibilização dos funcionários e dos altos cargos executivos da empresa.
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