CHICO ARAÚJO
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BRASÍLIA – A escassez de água e a crise ambiental na Amazônia já começaram a causar preocupação no Senado Federal. Hoje, por iniciativa da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Meio Ambiente e Fiscalização e Controle (CMA) foram criadas duas subcomissões temporárias para tratar exclusivamente de temas da região. A primeira delas vai acompanhar a questão da água na Amazônia e dois fóruns internacionais relacionados ao tema. A outra ficará encarregada de monitorar a crise ambiental na região.
Segundo a Tearfund, uma organização não-governamental da Grã-Bretanha, duas em três pessoas em todo o mundo correm o risco de ficar sem água até 2025. A situação não será diferente no Brasil. Mesmo rico em água doce, o País que concentra 20% de toda a água doce do planeta já enfrenta um caos na distribuição de água potável para a população. Tudo porque não cuida corretamente desse recurso natural não renovável. A Amazônia e o Pantanal Mato-grossense são exemplos.
O senador Sibá Machado (PT-AC) foi eleito presidente da subcomissão encarregada de cuidar da questão da água. A principal tarefa dela é avaliar a situação das bacias hidrográficas e dos aqüíferos, como o Guarani, e a s microbacias urbanas. Na Amazônia, a situação da bacia é caótica e preocupante. Com 70% da disponibilidade mundial de água doce e formada por mais de mil rios, em muitas áreas da Amazônia há falta de água potável para a população.
A Agência Amazônia tentou, por telefone, ouvir Sibá Machado acerca das ações que colocará em prática para monitorar a questão da água, em particular na Amazônia. Após atender a ligação e ser indagado sobre os trabalhos da comissão, Machado passou o telefone a outra pessoa. Do outro lado da linha, a pessoa se limitou a dizer: “o senador está participando de uma votação e não pode atender”.
Situação catastrófica
Enquanto Sibá cala-se, os rios da Amazônia morrem letamente. A morte desses rios é causada pela poluição, o assoreamento e o desmatamento. Os rios mais atingidos são o Xingu (MT), Negro (AM) e Rio Acre (AC). O primeiro, no entanto, já foi socorrido. Há três anos, um grupo de pessoas e ONGs lançaram — inclusive com a ajuda da modelo Giselle Bündchen — a campanha Y Ikatu Xingu (água limpa e boa na língua Kamaiurá). A proposta é recuperar nascentes e matas ciliares (as que margeiam os cursos d'água) do rio Xingu.
A mesma sorte não teve o rio Negro, no Amazonas. Continua sendo depósito de dejetos e esgotos in natura produzido pelas cidades localizadas às suas margens. Em 2005, a situação complicou-se ainda mais. Uma forte estiagem — a maior dos últimos 103 anos — atingiu o leste do Amazonas, quando alguns rios chegaram a baixar seis centímetros por dia. Milhões de peixes apodreceram e morreram (foto abaixo) nos leitos de afluentes do Amazonas que serviam de fonte de água, alimentos e meios de transporte para comunidades ribeirinhas.
Crise ambiental
Para acompanhar a crise ambiental na Amazônia, o Senado designou os senadores os senadores Renato Casagrande, Sibá Machado, Leomar Quintanilha, Gilberto Goellner e Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O último foi eleito presidente da subcomissão da Amazônia. Para ele, a instalação da subcomissão é “muito oportuna”, face à convulsão observada na região depois das medidas de controle do desmatamento adotadas pelo Ministério do Meio Ambiente. Ribeiro sugeriu a elaboração de um Plano de Manejo Florestal capaz de trazer desenvolvimento sustentado para a região.
Flexa Ribeiro defendeu, ainda, a necessidade de a subcomissão promover um diálogo estreito com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A estratégia destina-se à construção de um relatório com propostas capazes de trazer o setor florestal para a legalidade, instituindo regras claras para o desenvolvimento sustentado das reservas florestais.
Segundo informou Gilberto Goellner, o estado de Mato Grosso conseguiu terminar seu zoneamento sócio-econômico e ambiental com a participação do Ministério do Meio Ambiente, do governo do estado e de técnicos da Embrapa, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Universidade de Brasília. Esse zoneamento deverá resultar em regras definidas para a exploração agrícola, conforme acrescentou, que possam harmonizar o homem, o fator econômico e o ambiental.
O senador Expedito Júnior (PR-RO) e Flexa Ribeiro destacaram a conclusão do zoneamento sócio-econômico-ambiental em Rondônia e no Pará.
(*) Com informações da Agência Senado.