Estado e Petrobras vão tratar lixo químico deixado pelo Centres em Queimados - RJ 09.07.2008
JB Online
RIO - A secretaria do Ambiente assinou nesta sexta-feira, um termo de cooperação com a Petrobras para tratar o segundo maior passivo ambiental do Estado do Rio de Janeiro. Trata-se da área de aproximadamente 70 mil metros quadrados, em Queimados, na Baixada Fluminense, onde funcionou, até 1997, o Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos (Centres). Com o convênio, a Petrobras se torna parceira do governo do Estado do Rio na retirada dos resíduos industriais que contaminaram o local.
Instalado em Queimados desde 1984, o Centres era uma empresa particular que recebeu resíduos químicos de outras empresas de todo o país por mais de 10 anos. Durante este período, no entanto, os dejetos não foram tratados corretamente e acabaram contaminando o local. Na comunidade de Santo Expedido, que fica localizada próxima ao terreno do Centres, há grande incidência de casos de câncer, que os técnicos do Ambiente acreditam que podem estar relacionados à contaminação do solo e do lençol freático da região.
- Há 20 anos, quando o Centres começou a funcionar, não havia a tecnologia que temos atualmente disponível para o tratamento de lixo químico. Neste período, a tecnologia de detecção e descontaminação evoluiu muito – explicou a secretária do Ambiente, Marilene Ramos.
Após o fechamento do Centres, o governo do estado, também em parceria com a Petrobras, realizou a retirada dos resíduos de superfície que estavam no local, mas persistiu o problema o resíduo químico.
- Nossa preocupação era com a situação do solo. Através de um serviço de diagnóstico que foi contratado por nós, constatamos que houve mesmo a contaminação do solo, porque os resíduos não foram tratados, foram apenas enterrados. Foi como se tivessem jogado a sujeira pra baixo do tapete – disse o gerente executivo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde Ocupacional da Petrobras, Ricardo Azevedo.
A partir do atual convênio, a Feema irá realizar, em até um ano e meio, um estudo para dimensionar até onde vai a contaminação do local. Em seguida, a Petrobras contratará por licitação uma empresa para retirar e tratar os cerca de 29 mil metros cúbicos de resíduos químicos, de acordo com instrução técnica da Feema. Resíduos de cádmio, sais de cianeto, ascarel, entre outros produtos químicos que se encontram no local, receberão tratamento diferenciado, adequado de acordo com a característica de cada produto.
- Antes de tudo, é preciso checar o nível de contaminação. Depois vamos contratar o projeto de intermediação da área, definindo a melhor tecnologia e solução para cada produto – explicou o presidente da Feema, Axel Grael, adiantando que o processo de descontaminação do local deverá durar, no máximo, cinco anos.
O tratamento de passivos ambientais é uma das metas da Secretaria do Ambiente que o ex-secretário e atual ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, irá replicar nacionalmente.
- É muito difícil olhar para frente se você não consegue resolver o que o passado deixou, contaminando o solo, pessoas, lençóis freáticos e os alimentos – defendeu Minc.
No Rio de Janeiro, a Secretaria do Ambiente já estabeleceu parcerias para tratar os quatro principais passivos ambientais do estado. Além do Centres, a Petrobras apoiará o governo do Estado do Rio no tratamento do Canal do Cunha, próximo à Ilha do Fundão. A massa falida da Ingá Mercantil será parceira na solução do passivo ambiental do lago tóxico de Itaguaí, o maior do Rio, e o Ministério da Saúde, na Cidade dos Meninos.
http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/06/20/e20067415.html
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