Gestão sustentável das emissões 03.06.2008

Por Christye Cantero


Quem vive nas grandes cidades convive diariamente com um inimigo: a poluição. Inimigo este que não só contribui para o aquecimento global como também afeta a saúde da população. Uma solução para diminuir as emissões dos veículos é a aplicação da Resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) 315/2000, que lida em conjunto com a Lei Federal 8.327/1993 e refere-se não só aos padrões de emissão veicular, mas à qualidade dos combustíveis. A resolução estabelece que até 2009 haja a oferta de diesel com teor de enxofre de no máximo 50 ppm (partes por milhão) para o mercado brasileiro visando reduzir as emissões de material particulado. Enquanto hoje os veículos que rodam no País são abastecidos com diesel com teor de 500 ppm, na Europa o combustível tem 10 ppm.

Para atender a resolução do Conama falta, principalmente, que todos os agentes envolvidos cheguem num consenso. As montadoras afirmam que não há tempo hábil para a adaptação dos motores devido ao atraso da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A Petrobrás afirma que não é possível produzir esse combustível mais limpo enquanto as montadoras não adaptarem os motores dos veículos. “O Ethos resolveu estabelecer o diálogo entre as partes porque nenhum dos atores envolvidos têm condições de resolver o problema sozinho. Se não avançarmos nesta pauta, milhares de vida continuarão sendo comprometidas pelo atraso na resolução”, aponta o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young.

Num debate acalorado durante a Conferência Internacional de Empresas e Responsabilidade Social 2008, promovida pelo Ethos, Eduardo Jorge, secretário do verde e do meio ambiente da prefeitura de São Paulo e médico sanitarista, afirma que não há risco maior nas regiões metropolitanas do que a poluição do ar. “Hoje, a poluição em São Paulo tira um ano e meio de vida das pessoas. Em crianças e idosos, essa perda sobe para três anos de vida”, alerta. Entre as providências da prefeitura está a instalação de postos de inspeção de veículos, que até maio do próximo ano deve dar conta da frota da cidade. “Isso representa um alto investimento, mas se comparado com os gastos com a saúde para tratar de casos decorrentes de poluição, vale a pena”, comenta. “Em 2005, a prefeitura foi à Petrobrás para discutir como a empresa pretendia dar andamento à resolução do Conama. No silêncio e na ignorância da sociedade civil, todos foram empurrando com a barriga”, provoca.

Henry Joseph Jr., presidente da comissão de energia e meio ambiente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), afirma que os valores adotados no Brasil para as emissões mostram que há relação consistente com os considerados na Europa. “Para a nova fase P-6/2009 (novos motores), as características do combustível são importantes. Quando se fala de qualidade do combustível para atender a fase de emissão, diversas características têm influencia no motor a ser utilizado. A especificação do combustível adequado ao cumprimento da fase 6 foi definida em novembro do ano passado, por meio da resolução da ANP. Em linhas gerais, a indústria leva de três a cinco anos para se adaptar a partir do momento que se tem conhecimento do combustível”.

Frederico Kremer, gerente de produto da Petrobrás, alega que a empresa só não adaptou o diesel ainda porque aguardava a especificação da ANP. “As unidades são complexas, demandam altos investimentos e a Petrobrás atenderá a resolução ANP-32, que define a qualidade dos combustíveis para veículos produzidos com a tecnologia P-6”, diz.

O secretário municipal do verde e do meio ambiente afirma que enquanto as indústrias esperaram pelas especificações da ANP, sem pressionar a agência, tiveram tempo para ganhar mais dinheiro. “É como se fosse um time de futebol em que os três atacantes (ANP, Anfavea e Petrobrás) têm de fazer um gol. Mas em vez de se unirem para fazê-lo, apontam o dedo para o atacante que está ausente, no caso a ANP”, finaliza Eduardo Jorge. Enquanto isso, a população continua respirando um ar com fumaça repleta de enxofre.

http://www.consumidormoderno.com.br/web/interna.asp?id_canais=4&id_subcanais=13&id_noticia=14337&pg=

 


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