
O Brasil sempre contou com uma matriz energética limpa, baseada na hidroeletricidade. Sujou sua geração com o despacho de energia de térmicas a gás, óleo combustível e carvão mineral, insumos, segundo os especialistas, de fornecimento cada vez mais caro, instável e de grandes emissões de GEE, principalmente o último.
Segundo a Aneel, existem 1.014 usinas termelétricas em operação no Brasil (18 no Ceará), responsáveis pela geração aproximada de 21.776 MW de energia. O volume corresponde a 21,5% da capacidade total de geração do País e a praticamente um terço de tudo que é ofertado pelas 159 usinas hidrelétricas hoje em funcionamento no Brasil.
´Em tempos de aquecimento global, quando a grande discussão é justamente como reduzir as emissões dos gases de efeito estufa, o País está perdendo a oportunidade de liderar uma verdadeira revolução energética. As térmicas utilizam, na grande maioria, combustíveis fósseis, que são responsáveis pelas maiores emissões desses gases´, afirma Ricardo Baitelo, do Greenpeace. De fato, do total de usinas termelétricas em operação no País, cerca de 72% são movidas a combustíveis fósseis, com apenas 28% delas a biomassa.
Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Planejamento Energético (EPE) do governo federal, o investimento em térmica, em detrimento das fontes renováveis de energia, justificado pelos altos custos destas últimas. ´A grande limitação do avanço de fontes como a eólica ainda é o custo. É uma energia cara. Será que o Brasil, um País de pessoas pobres, quer pagar esta conta?´, questiona.
´Os países desenvolvidos primeiro desmataram e poluíram e hoje cobram de todos o uso de fontes mais limpas. Mas isto significa que o consumidor brasileiro terá que pagar mais caro por isso. O fato é que de um lado as pessoas protestam e pedem o uso de fontes renováveis, mas de outro reclamam que estão pagando mais caro. São duas reclamações que caminham juntas. Mas não dá para ganhar dos dois lados´, dispara. Na sua avaliação, apenas com o desenvolvimento de tecnologia e a produção em escala será possível o desenvolvimento de um mercado de energias renováveis no Brasil.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=558405
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