Poluição 09.07.2008
Fabiana Parajara, O Globo Online
SÃO PAULO - Cerca de 50% dos veículos a diesel foram reprovados na inspeção veicular de poluição, que começou em maio na capital paulista. Até o momento, perto de mil veículos passaram pela avaliação, dos 300 mil que devem fazê-la até no máximo março de 2009. De acordo com o diretor de operações da Controlar, empresa responsável pelo teste, o número é preocupante, mas pode apresentar variações quando uma amostra maior de veículos for inspecionada.
- Em outros países, quando toda a frota é considerada, o índice de reprovação varia entre 30% e 35%. Quando tivermos um número maior de veículos avaliados poderemos ter uma dimensão mais precisa do problema. Mas, por enquanto, o índice é alto - afirma Rosin, referindo-se aos 46,4% de reprovação.
O movimento no posto de inspeção ainda está 80% abaixo do esperado. Por enquanto, apenas os veículos com placa final 1 e 2 devem fazer a avaliação.
- Pelo decreto, os proprietários têm até 90 dias após o fim do prazo para licenciamento, para submeter os veículos ao teste. O prazo para os veículos com placa final 1 termina em 29 de julho - explica Rosin, o que representa 13,6 mil veículos leves movidos a diesel analisados até 29 de julho.
A vistoria é rápida, dura em média 7 minutos. Primeiro um funcionário checa com a ajuda de um espelho o escapamento, o catalisador e se existe algum tipo de vazamento. Depois, confere o nível do óleo. Na segunda etapa, uma sonda é colocada no escapamento. O inspetor acelera forte e mede a quantidade de gases poluentes liberados na atmosfera.
- Tem um equipamento chamado opacímetro que faz a captura da fumaça. Ele envia os dados para um computador e o computador faz uma análise de quanto de poluição há naquela fumaça - diz o diretor de operações.
Segundo Rosin, a principal causa de reprovação é exatamente a emissão excessiva de fumaça preta, normalmente causada por desgaste do motor ou desregulagem de componentes, como filtros. Mas problemas simples, como baixo nível de óleo, vazamentos e o rompimento do lacre da bomba também reprovam.
- São problemas simples, que o proprietário pode verificar antes de passar pela inspeção - diz Rosin, lembrando que os reprovados têm 30 dias para resolver o problema e passar por uma nova inspenção.
A inspeção veicular é gratuita e quem não cumprir a norma pode pagar multa de R$ 550 e ser impedido de licenciar o veículo no próximo ano. Para fazer a inspeção fora do prazo, o motorista vai ter que pagar uma taxa de R$ 52,73. O centro de inspeção veicular tem capacidade para fazer 860 vistorias por dia. Porém, em maio, o número de atendimentos não passou de 24 por dia. Para marcar a inspeção, é preciso marcar hora pelo site www.controlar.com.br ou pelo telefone: 11 3545-6868
A inspeção veicular se tornou obrigatória este ano na capital. Por enquanto, vale só para os veículos a diesel, que poluem bem mais. Mas, a partir do próximo ano, todos os carros devem passar pela avaliação.
Menos poluição
A inspenção foi adotada para tentar reduzir a poluição do ar. De acordo com um levantamento da Cetesb, o crescimento da frota de veículos e os dias mais secos contribuíram para piorar a qualidade do ar na Grande São Paulo. A Cetesb analisou a qualidade do ar em 80 pontos do estado entre 2005 e 2007 e chegou à conclusão que 14 apresentaram níveis severos de poluição.
Atualmente, há 8,4 milhões de veículos nas ruas da região metropolitana. Tantos carros na rua não pioraram apenas os índices de congestionamento, mas também tornou mais difícil respirar. Os sintomas mais comuns são problemas respiratórios, irritação na garganta e olhos secos. Em 2005, o limite de concentração de material particulado foi ultrapassado apenas um dia durante o ano todo. No ano seguinte, foram dois dias de muita poeira no ar. Em 2007, o padrão foi superado quatro vezes.
A concentração de ozônio, formado na atmosfera a partir de um poluente que sai dos escapamentos, também aumentou no ano passado. O ozônio é preocupante exatamente nas proximidades de áreas verdes, como o Parque do Ibirapuera e a Cidade Universitária. Isso porque onde tem muita árvore a concentração de ozônio costuma ser maior do que nas grandes avenidas cheias de carros. Esse gás, só é bom quando está a 25km de altitude, pois protege a terra dos raios ultravioleta. Próximo ao solo, onde as pessoas respiram, os efeitos são ruins e costuma ficar concentrado no ar enquanto houver luz do sol.
http://oglobo.globo.com/sp/transito/mat/2008/06/19/quase_metade_dos_carros_diesel_reprovada_em_inspecao-546876868.asp
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