
Testes com torres de geração com 100 metros de altura apontam para ampliação do poder de oferta no País
Dados do Atlas do Potencial Eólico Brasileiro apontam que o potencial eólico indicativo do País é de 143.000 MW. Mais da metade desse montante está na Região Nordeste, com 75.000 MW. E no Ceará estão aproximadamente 25% do potencial energético do País. Entretanto, levando-se em conta que as informações datam do início dos anos 2000, quando os resultados das simulações representavam os regimes médios dos ventos e um fluxo de potência a uma altura de 50 metros do solo, as perspectivas de utilização desse tipo de energia são cada vez maiores no panorama energético nacional.
Isto porque, explica Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Energias Renováveis do Greenpeace, com os testes atualmente realizados, considerando os regimes médios dos ventos a uma altura de 100 metros, isso por si só já ampliaria de duas a três vezes o potencial eólico do Brasil, sem contar a capacidade de geração no mar (offshore). Nesse contexto, as Regiões Nordeste, Sul e Sudeste do País se sobressaem.
Porém, diante de tamanho potencial, o que acontece é que o Brasil ainda engatinha na ampliação da oferta de energia eólica. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), hoje, há apenas 16 parques eólicos em operação, gerando 247 MW de potência, contribuindo com cerca de 0,24% para a capacidade total de geração do País, considerando todos as fontes de energia. Metade desses empreendimentos encontram-se no Nordeste, nos Estados do Ceará, na liderança com três deles, seguido do Rio Grande do Norte, da Paraíba e de Pernambuco.
Entretanto, conforme a Aneel, está prevista para os próximos anos uma adição de 3.463 MW na capacidade de geração eólica brasileira, proveniente dos 16 empreendimentos atualmente em construção e de mais 65 outorgados desde 1998, mas que ainda não começaram as obras de instalação. Só no Ceará serão 14 novos parques, com potência de 500,53 MW, que serão acrescidos aos atuais 17,4 MW já em operação.
Estágio que, na avaliação do professor Paulo Carvalho, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC), ainda é muito incipiente dado o potencial do País. ´Há países que produzem 1.000 MW/ano com regimes de ventos bem menores que o do Brasil. Na Alemanha, por exemplo, o vento avança a cinco metros por segundo, enquanto que só aqui no Ceará essa potência chega entre oito e dez metros por segundo´, argumenta.
O que, segundo Baitelo, do Greenpeace, coloca essa fonte de geração como excelente alternativa para complementar a matriz energética do País, hoje altamente dependente das chuvas, sobretudo no Nordeste. ´Isso não é hipótese nossa. A Eletrobrás também tem essa percepção´, afirma. Além disso, argumenta, o aproveitamento da geração eólica coloca os Estados da Região como exportadores de energia, aliado ao fato de que também contribui para a geração de emprego e renda em seu território.
Ainda de acordo com ele, ao avançar na geração de energia a partir dos ventos, o governo brasileiro estará inserindo o País em um mercado em franca expansão, que vem apresentando taxas de crescimento de até 30% ao ano.
Porém, avisa: ´Para aproveitar o potencial renovável do Brasil é necessário partir de um programa mais bem estruturado de incentivos.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=558409
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