Relatório do TCU mostra que, na Amazônia, crime ambiental compensa 15.06.2008
BRASÍLIA - Encarregados de defender os índios, proteger as riquezas naturais e evitar a destruição da maior floresta tropical do mundo, os órgãos federais que atuam na Amazônia sofrem com a falta de infra-estrutura, batem cabeça e muitas vezes atuam em direções opostas. O diagnóstico é resultado de uma auditoria inédita do Tribunal de Contas da União em entidades como Ibama, Incra, Funasa, Funai e Instituto Chico Mendes. De acordo com o texto, aprovado nesta quarta-feira pelos ministros do TCU, a escassez de recursos e a falta de uma política integrada para a região tem conseqüências dramáticas: o desperdício de dinheiro público e a devastação acelerada da floresta. É o que mostra reportagem de Bernardo Mello Franco na edição desta quinta-feira em 'O Globo'.
- Todos os órgãos contam com uma estrutura muito deficiente para cuidar da Amazônia. Se as autoridades ao menos se falassem, teríamos menos desperdícios e mais resultados - resumiu o relator da auditoria, ministro Marcos Bemquerer.
A ineficiência do Ibama, traduzida na falta de fiscais e na demora para leiloar os bens apreendidos e cobrar as multas aplicadas aos desmatadores, é apontada como uma das principais causas do desmatamento da floresta. Segundo o TCU, as deficiências do órgão têm encorajado os devastadores a derrubar árvores até em reservas ambientais e terras indígenas. No relatório, Bemquerer reclama da certeza de impunidade e conclui que, na Amazônia, o crime ambiental compensa. (Infográfico: a devastação da Amazônia em números)
Pacote de Lula também é criticado pelo TCU
O pacote anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter a alta no desmatamento é alvo de críticas. Para o TCU, o recadastramento das terras, uma das medidas mais alardeadas pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, tem poucas chances de prosperar. Segundo o relatório, não faz sentido esperar que os posseiros que derrubam árvores ilegalmente tomem a iniciativa de entregar ao Incra os dados necessários para fiscalizar a floresta.
Em Brasília, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, prometeu começar nesta quinta uma ronda telefônica para negociar com todos os governadores a participação de policiais e bombeiros no combate aos crimes ambientais. Ele fez o anúncio após se reunir com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Segundo Minc, a medida será o primeiro passo para a criação da Guarda Nacional Ambiental, uma tropa nos moldes da Força Nacional de Segurança, com homens cedidos pelos estados à União.
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/06/11/relatorio_do_tcu_mostra_que_na_amazonia_crime_ambiental_compensa-546765807.asp
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