Renault e Nissan venderão carros elétricos nos EUA e na França 26.03.2008
Paris - O presidente dos grupos automobilísticos Nissan e Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, disse que a marca japonesa comercializará um carro elétrico a partir de 2010 nos Estados Unidos, enquanto a Renault fará o mesmo na França no máximo em 2012, dentro de sua aposta por esta tecnologia.
A aliança entre Renault e Nissan destina 200 milhões de euros anuais à evolução do carro elétrico, porque é a aposta que os grupos fizeram "antes da célula de combustível, já que a tecnologia das baterias evolui muito rapidamente", disse Ghosn em entrevista ao "Le Journal du Dimanche" divulgada hoje.
Segundo o brasileiro, "há demanda" para automóveis que não emitam gases poluentes por parte de certos países, cidades e empresas, e, por isso, a dupla Renault-Nissan quer propor "uma oferta convincente para um mercado mundial de potencialmente 10 milhões de consumidores sobre um total de 65 milhões".
O presidente dos dois grupos automobilísticos insistiu em que isso não significa deixar de lado outras tecnologias alternativas.
Ghosn anunciou que será apresentado "em poucos meses" o primeiro protótipo de um Renault Scénic que funcionará com célula de combustível, e terá água como resíduo, em vez de gases poluentes.
No entanto, o executivo alertou que é preciso resolver a questão de custos e do circuito de distribuição do hidrogênio, motivo pelo qual ainda serão necessários "pelo menos dez anos para alcançar boas condições de comercialização em massa" de carros que funcionem com célula de combustível.
O brasileiro também contou que a tecnologia híbrida que combina um motor de explosão e outro elétrico continuará sendo desenvolvida, e lembrou que dos 300 mil Nissan Altima vendidos nos Estados Unidos, 12 mil são híbridos.
Ghosn ressaltou o sucesso do modelo da união Renault-Nissan, segundo ele, adaptada à globalização, e afirmou que sua estratégia prevê ampliá-la em todos os aspectos.
Para o presidente dos grupos, a aliança "é a única que funciona na indústria automobilística", e se baseia no plano de "cada membro tomar a liderança em um mercado e, em seguida, colocar sua infra-estrutura à disposição do outro para ajudá-lo a entrar nesse mercado".
O brasileiro acrescentou que as duas marcas desenvolvem "sinergias mais ativas atuando juntas" e deu como exemplo a construção de uma fábrica em Tânger, no Marrocos, e outra em Chennai, na Índia, além do projeto para fabricar um carro de US$ 2.500 em parceria com a empresa indiana Bajaj.
Segundo Ghosn, esse carro "será feito em primeiro lugar para os indianos. Assim que se tornar um sucesso, será possível exportá-lo para mercados similares, como Paquistão, Bangladesh, Camboja e Vietnã".
http://www.atarde.com.br/economia/noticia.jsf?id=849081
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