Seca na Amazônia já dificulta vida do ribeirinho produtor de alimentos 26.07.2008

Nos meses de julho, agosto e setembro, a falta de chuvas na Amazônia provoca vários tipos de problemas para a sua população, que vão desde as terríveis fumaças das queimadas à quase total seca de seus rios, igarapés e lagos, considerados essenciais à sobrevivência da fauna, da flora e dos chamados povos da floresta.

A estiagem na grande floresta chega mesmo a provocar muita fome e miséria no interior dos estados amazônicos, como ocorreu na grande seca de 2005, onde muitas comunidades ribeirinhas dos afluentes e subafluentes do rio Amazonas passaram muitas privações, necessitando de ajuda dos governos local e federal para comerem e beberem.

A seca deste ano começa a causar problemas, por exemplo, para os ribeirinhos trazerem suas produções para serem comercializadas nas cidades da região. É o que está ocorrendo agora nas áreas de produção agrícola próximas a Rio Branco, capital do Acre, onde os produtores ribeirinhos já gastam o dobro do tempo da viagem para chegar até ao porto da cidade. A demora na viagem se deve à seca que atinge o rio Acre e dos bancos de areia que se formam no leito do subafluente do rio Amazonas e ameaçam encalhar as embarcações dos produtores ribeirinhos.

A chegada da estiagem dificulta a vida dos produtores rurais, que nesta época do ano gastam o dobro do tempo da viagem para chegar até o porto de Rio Branco. O problema ocorre em função da seca do Rio Acre e dos bancos de areia que se formam no leito do afluente e ameaçam encalhar as embarcações.

Segundo noticiou nesta quinta-feira, 24/07, o jornal Página 20, em matéria da repórter Val Sales, além de todos os obstáculos do caminho, os agricultores acabam enfrentando outros problemas, como o barateamento da mercadoria. “A oferta nessa época é maior que a procura e a gente acaba sendo obrigado a vender mais barato”, disse ao jornal o produtor Francisco Alves de Souza, morador do seringal Capatará. A localidade onde ele mora é situada às margens do rio Acre, a um dia de viagem do porto de Rio Branco.

O ribeirinho Francisco e sua família plantam banana e mandioca, que lhes garante renda para sobreviverem no seringal Capatará. Como outros produtores ribeirinhos, Francisco também se preocupa com o esvaziamento progressivo do rio, usado como único meio de transporte de produtos até à cidade. “Não sei o que será do nosso futuro sem esse rio”, afirmou o agricultor, ao prever um fim trágico para a região com o desaparecimento do rio no futuro.

Com dois de viagem para chegar ao porto de Rio Branco, Edmilson Brito, morador do Seringal Iracema, no município de Xapuri, terra do sindicalista Chico Mendes, é outro ribeirinho que colheu sua boa safra de melancia e banana para vender na capital.Brito assinala que as dificuldades provocadas pelo chamado verão amazônico vão piorar ainda mais nos próximos meses.

Outro produtor rural, Luiz Lopes da Silva, morador do Projeto de Assentamento Moreno Maia disse que navega seis horas até ao porto de Rio Branco com o que conseguiu cultivar em banana e carvão, destaca que o barco que possui é pequeno para trazer toda a produção, mas que, além disso, de nada adiantaria trazer a embarcação pesada e correr o risco de encalhar no meio do caminho.

O produtor Luiz Lopes da Silva resume a “dor” que a seca dos rios amazônicos, provocada pelos desmates, queimadas e poluição, causa na população da região. “O rio está desaparecendo. Dói na gente vê tanta poluição nas águas e nas margens. Se não houver mais cuidado com ele, vai chegar o tempo em que a gente não vai ter mais nem esse ‘fiozinho’ de água que aparece agora”, sentenciou Luiz Silva.

http://www.kaxi.com.br/noticias.php?id=895

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