
Por Aline Rodrigues - do Rio de Janeiro
Em um passado muito recente, o desenvolvimento do país estava atrelado à industrialização e à utilização abundante de recursos naturais para promover o bem-estar do homem. De repente algo mudou e as pessoas perceberam que nem tudo na natureza se renova. A sociedade demorou um pouco para descobrir isso, porém de um tempo para cá acordou para o fato de que é necessário repensar os seus hábitos. Não dá mais para colher sem replantar, usar sem reutilizar, reciclar ou reinventar.
A criação de uma nova ordem de coisas exige atitude solidária e cooperação entre as pessoas. É de conhecimento público que toda ação gera uma reação ou impacto na mãe Terra. A vida no planeta depende do entendimento de que tudo está interligado. Por esse motivo, todos precisamos rever o estilo de vida que escolhemos para a sociedade.
Na semana passada, um grande congresso reuniu quase duas mil pessoas no Anhembi (SP). Todas estavam lá para aprender como administrar negócios sustentáveis e departamentos. Independente da motivação que levou cada uma daquelas pessoas a ouvir o que está se discutindo no Brasil, elas estavam reunidas para analisar como as empresas se relacionarão com o mundo em que vivemos.
É tempo de buscar o desenvolvimento de novas tecnologias sob uma visão global, considerando que é imprescindível gerar formas inteligentes de sobrevivência para a espécie humana. Este momento da civilização requer que ao invés de cuidar apenas dos produtos gerados pela indústria e seus impactos, se observe toda a cadeia de valor que gira ao seu redor. Dessa maneira, torna-se possível envolver as pessoas que participam de todas as fases do ciclo de vida do produto que, por sua vez, passou a ser interpretado desde a sua concepção até o seu reuso ou descarte seguro.
Pensar a cadeia de valor significa promover a cooperação de todos os stakeholders no processo produtivo, desde o projeto, desenvolvimento do produto, contratação de fornecedores, fabricação, distribuição, venda, pós-venda, reutilização ou descarte seguro. É preciso conhecer os impactos da atividade. Quantas pessoas participam desse processo? Como elas trabalham? Essas empresas têm conhecimento das práticas de Responsabilidade Social e desenvolvimento sustentável? Será que os seus empregados têm os seus direitos trabalhistas assegurados? As instalações da empresa são dignas e seguras? A empresa é ética e cumpre as suas obrigações legais?
Na administração da cadeia de valor, as empresas são capazes de manter um diálogo sobre desenvolvimento sustentável e contribuir para a adoção de procedimentos sustentáveis por parte dos atores sociais envolvidos. Grandes empresas já despertaram para isso e hoje compartilham as suas práticas e soluções em toda a sua rede. Essa postura gera a oportunidade de aprender, planejar e viabilizar a inovação para a sustentabilidade. Se todas as empresas apostarem nas pessoas, as comunidades, o território, as cidades e o mundo sentirão os efeitos da cooperação. Assim construiremos novas páginas na história da vida.
Aline Rodrigues
Rebouças & Associados
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