Valor: Multinacionais se unem na Europa contra biocombustíveis 09.07.2008
Jornal Valor Econômico
RIO - Grandes multinacionais fabricantes de alimentos e bebidas deflagraram um duro ataque contra os biocombustíveis na Europa, posição que representa uma nova ameaça aos planos do Brasil de fazer do etanol uma commodity global, segundo matéria publicada no Jornal Valor Econômico, nesta sexta-feira. Em carta ao Conselho Europeu, que reúne os 27 presidentes e chefes de governo do bloco, segue o Valor, as empresas afirmam que os biocombustíveis são o principal novo fator da alta dos preços das commodities agrícolas e conclamam os líderes europeus a não endossar "precipitadamente" a meta de misturar 10% de etanol aos combustíveis até 2020.
A carta, à qual o Valor teve acesso, é subscrita por oito empresas: Nestlé, Unilever, Kellog's, Danone, Cadbury, Mars, Heineken e Pepsi-Cola. Sob o argumento de que isso pode "erodir" a competitividade da indústria alimentícia européia, as múltis pedem aos líderes europeus que "desistam" da meta até que outras análises demonstrem todas as implicações do plano, diz a reportagem.
Entre os 27 países europeus existe uma verdadeira batalha sobre a meta de 10% e sobre critérios de sustentabilidade para o etanol ser incluído nos cálculos dos países para redução de gases do efeito estufa. O ataque da indústria ocorre duas semanas depois de o presidente Lula ter acusado "dedos sujos de carvão e óleo", numa referencia ao lobby do petróleo, de fazerem campanha contra o etanol.
Em artigo publicado na semana passada no "The Wall Street Journal Asia", o presidente do conselho de administração da Nestlé, Peter Brabeck, afirma que a produção de biocombustíveis é "eticamente indefensável".
Segundo o Valor, as oito multinacionais justificam seu ataque pelo fato de terem "expertise incomparável" sobre o funcionamento da cadeia de suprimentos e fatores que influenciam os mercados de alimentos na Europa e no mundo. Para mostrar a culpa dos biocombustíveis, a reportagem informa que as múltis destacam que a produção de etanol triplicou entre 2000 e 2007 e vai dobrar de novo até 2017, para alcançar 127 bilhões de litros por ano. E citam estudos do FMI e Banco Mundial para demonstrar que a produção de biocombustíveis contribuiu com mais de 30% para a alta de preços dos cereais. O Departamento de Agricultura dos EUA diz que o impacto é de 3%, revela o Valor.
http://oglobo.globo.com/economia/mat/2008/06/20/valor_multis_se_unem_na_europa_contra_biocombustiveis-546890972.asp
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