
AGÊNCIA AMAZÔNIA
PORTO VELHO, RO — Quarenta e oito horas depois, a polícia de Rondônia ainda não se manifestou sobre o ataque de um bando de homens encapuzados no acampamento Conquista da União, da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) na área fazenda da família Catâneo, em Campo Novo, Rondônia. Até o momento não se tem notícias de cadáveres. Os camponeses foram atacados a tiros na manhã de quarta-feira por um grupo de homens encapuzados. Eles incendiaram os barracos, causando a fuga de várias pessoas.
A LCP suspeitou de massacre, até o momento não confirmado, e de seqüestro de pessoas, a exemplo do que ocorreu na chacina da Fazenda Santa Elina, em 1995.
A posse da fazenda Catâneo é reivindicada pela família do empresário Ernesto Catâneo, seqüestrado e assassinado por duas pessoas em Ariquemes, a cerca de 200 quilômetros de Porto Velho.
No ataque de anteontem, o bando armado ateou fogo também a diversas motocicletas de propriedade dos sem-terra. Esse tipo de ataque, segundo a LCP informa à Agência Amazônia, vem se sucedendo nas regiões de Jaru, Nova Mamoré e Jacinópolis desde 2002. A LCP anunciou que divulgará a lista dos seus mortos desde a época em que instalou os primeiros acampamentos em Rondônia.
Um dos principais embates do movimento camponês é com seguranças particulares de fazendeiros nas regiões de Jaru, Ariquemes e Jacinópolis. Em seis anos, o confronto resultou em mortos e feridos. Professores e estudantes da Universidade Federal de Rondônia, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos, o Núcleo de Advogados do Povo e a Comissão Pastoral da Terra estão cobrando investigações das autoridades e prometeram acompanhá-las para esclarecer os fatos.
O jornalista Roberto Gutierrez, da Folha de Rondônia e uma equipe da TV Record estiveram na área conflagrada. Segundo Gutierrez, o local “foi varrido a tiros”. Empregados dos fazendeiros do grupo Catâneo não querem falar sobre o ocorrido.
Até a noite de quinta-feira, a polícia não havia chegado ao local. Informou-se que apenas agentes da PF teriam circulado na região, conforme não havia policiais no local, a pedido do governo de Rondônia.
O governo não explicou a contradição de haver negado o treinamento de guerrilheiros no estado – "eles usam métodos de guerrilha", limitou-se a dizer o delegado Cézar Pizzano, numa reunião –, mas em declarações à Rede TV! o governador Ivo Cassol insiste em declarar que a LCP é aliada ás Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, o mais temido exército guerrilheiro da América do Sul.
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